quinta-feira, 16 de maio de 2013

Alunos da escola Rui Palmeira participam de atividades contra abuso e exploração sexual infantil

Texto de Delane Barros e Fotos Janaína Farias

 
O trauma causado pelo abuso sexual em crianças foi encenado em uma peça teatral e em uma exposição de desenhos nesta quinta-feira (16), na escola municipal Rui Palmeira, no Vergel.

A atividade faz parte do projeto-piloto “Crianças e Adolescentes em situação de abuso e exploração sexual: desvelando vozes silenciadas, quebrando o ciclo de violência”, que está incluso na programação da Semana Alagoana de Combate à Violência.

A iniciativa surgiu após a direção da unidade de ensino constatar que algumas dessas vítimas são matriculadas e a escola aproveitou o momento para externas à sociedade em geral o grave problema e buscar apoio para o caso.


De acordo com Ticyani Bentes, diretora do Centro de Atenção Integrada a Criança e ao Adolescente (Caica), da Semed, esse momento reafirma o compromisso com a causa, mostrando que tem uma rede de proteção da criança e do adolescente e, que a Educação de Maceió faz parte dela.

A juíza-auxiliar da Corregedoria-geral da Justiça de Alagoas, Fátima Pirauá, participou da atividade na escola e relata o que o abuso e a violência são considerados a pior das práticas criminosas. “O silêncio é que faz esse crime ser ainda mais cruel. Prova desse silêncio é que no ano de 2012 houve a abertura de apenas 160 processos. Por acaso só houve essa quantidade de casos? Claro que não, mas existe o medo, a vergonha e até a culpa”, declara a magistrada.

A professora de artes, que planejou a peça de teatro, Lindiane Heliomarie, afirma que teve a ideia a fim de ajudar a essas vítimas, para que elas entendam que podem se libertar, que podem denunciar e pedir socorro. “Tentei retratar esse momento de dor, que causa uma explosão de sentimentos”, resume ela.

O presidente da Câmara Municipal de Maceió, vereador Francisco Holanda Filho, participou da programação como convidado e externou sua revolta com os casos de violência sexual. “Antes de ser um ente político, sou pai e considero inaceitável a exploração sexual. Entendo que o poder público tem que estar atento a essa triste realidade e cuidar com bastante zelo. Considero necessário, também, a manutenção de uma legislação sempre atual, atrelada ao Estatuto da Criança e do Adolescente, a fim de mantê-lo dinâmico para atender ao público a que se destina”, afirmou ele.
 

Ação das crianças

A apresentação teatral fez parte de um projeto desenvolvido na escola e quando os alunos foram envolvidos, participaram com a confecção de textos, cartazes, pinturas, desenhos e colagens sobre o problema. “Realizamos diversas atividades abordando o tema e fomos surpreendidos com diversos casos de abuso sexual na escola e aqui, no ambiente escolar, é o local de acolhimento dessas crianças”, explica a diretora da escola, Maria Aparecida Paciência.


Os cartazes dispostos na área comum da escola deixam bem claro os danos psicológicos causados às vítimas. Os autores dos trabalhos não são identificados, mas constrangedor a quem os vê. Demonstram a prática do ato sexual tendo sempre as figuras de um adulto e um menor, normalmente com lágrimas no rosto.

Nenhum comentário: